Artigos | Articulistas
Fonte: Catolicanet + Ver Mais Artigo do Autor


Sobre o Autor - A CatolicaNet é uma Associação Privada de Fiéis de Direito Diocesano. Sua espiritualidade missionária está centrada em Santa Teresinha do Menino
São Paulo,SP - Brasil

Outra vez Deus e o Demônio - 21/11/2011 - 9:41

O inteligente, atento e arguto leitor de Bíblia perceberá, do primeiro ao último dos livros, uma procura por Deus e respostas de Deus a esta pergunta. Se prestar mais atenção descobrirá que praticamente, em todos os livros, 95 a 99% do conteúdo é voltado para a presença, a procura e o louvor a Deus. O demônio ocupa espaço pequeno; diabo, satanás, satã, demônio, inimigo são expressões que designam a presença do mal na humanidade, numa comunidade ou num indivíduo, mas a proporção é muito pequena. A Bíblia se ocupa muito mais da presença e da ação de Deus.

Quando, pois, em determinado período da humanidade os pregadores acentuam o mal e o demônio de tal forma que ele é lembrado em quase todos os cultos, sob o argumento de que ele não para de atuar e aquela igreja não para de o enfrentar, estamos diante de uma excrescência e de uma extrapolação; é demônio demais e acento excessivo no pecado e no poder do demônio para alguém que pretende mostrar a misericórdia, a bondade e no caminho para Deus.

De repente no script da fé atribui-se um papel excessivamente saliente ao demônio que deveria ocupar papel secundário. Quando ligo a televisão hoje e quando leio os livros de história, quando ligo o rádio e quando torno a ler os livros de história percebo que houve e há um tipo de religião, um tipo de Igreja e um tipo de pregador que acentua o mal, para depois lhe dar combate. Assusta o fiel menos instruído com a presença do mal no mundo, com o poder do mal e com o poder do maligno, para que, depois, ele aceite o poder do céu que vem por aquela Igreja ou pela sua pregação. Lembra a história do bicho papão que assusta a criança e, então, ela obedece à mãe e corre pra perto dela cada vez que ouve dizer a palavra bicho papão.

Não deixa de ser de uma forma de infantilização: acento no mal e no poder do demônio para, depois, poder acentuar o poder da graça e da misericórdia de Deus. O que poderia ser menção passageira torna-se menção corriqueira, costumeira, presente em todas as celebrações e em todos os sermões. De repente o demônio ganha maior cobertura do que merece. Se, por um lado, é errado omitir a reverência ao demônio, também é errado insistir e acentuar demais a sua presença e o seu poder. Ele acaba virando protagonista.

A Bíblia na maioria das suas passagens não lhe atribui tamanho poder. Torno a acentuar que uma leitura inteligente, criteriosa e arguta da Bíblia vai nos mostrar um livro que em 95 a 99% do seu conteúdo aponta para Deus e acentua Deus. Mas vejo que nas pregações de hoje, no rádio e na televisão, repetindo um período intenso da Idade Média em que também se acentuava demais o mal, tem havido um excessivo acento na existência e na ação do demônio. Voltou com grande intensidade a ênfase no mal que deve ser combatido, ao invés da ênfase no bem que deve ser praticado.

O leitor preste atenção a determinados programas e pregações de televisão e me diga se estou certo ou errado. Demônio, satanás, inimigo, maligno é tema que está na Bíblia, mas acentuá-lo demais não é bíblico; o acento é na misericórdia, na graça, no poder de Deus que se importa conosco.

Faz tempo que na pedagogia familiar as mães pararam de falar do bicho papão. Elas acham outros meios de atrair as crianças. Mas parece que algumas igrejas redescobriram o demônio como o bicho papão da fé. Não se trata de negar que o demônio existe: é bíblico; o que se trata é de questionar a excessiva ênfase, porque alguns pregadores não deixam passar uma pregação sem pelo menos cinco ou dez vezes falar do demônio. Esqueceram o essencial da pregação de Jesus: “Não temais, eu venci o mundo!”

Encontro muitos fiéis preocupados com o demônio e com possessões. A maioria deles ouviu pregadores que acentuaram demais o poder do demônio. Faltou Paulo e sua doutrina da graça…

 

Comentários  

 
0 #5 07/01/2016 16:32
É uma das verdades, verdadeira e verídica, já que antigamente o povo como também os padres usavam a palavra satanás, como o mocinho da estória; assim como foi dito no comentário que os pais usavam o Bicho Papão para intimidar os seus filhos, nós somos testinhas disso.
 
 
0 #4 30/05/2015 09:49
Muitos pregadores inescrupulosos falam muito em possessões demoníacas para depois iludir os ignorantes na fé e conduzi-los como quiserem. Sabemos que as possessões reais são muito raras. Estes falsos profetas apenas fazem negócios financeiros com a Bíblia. Um dia prestarão contas. Deus tenha misericórdia deles.
 
 
-3 #3 22/02/2014 16:28
magnifico comentario.
nao necessita de refleccão
 
 
+1 #2 10/12/2013 19:23
“Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio” (1Jo 3,8).
 
 
+8 #1 10/02/2012 10:42
Muito boa a formação. Falo por experiência propria que isso realmente existe hoje em dia. Mas devemos focar em Deus que é realmente o que mais importa em nossas vidas!
A paz*
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Articulistas         Catolicanet
Pato Donald e sua trupe
Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey e Pateta; quem não os...
Wagner Pedro Menezes 20.02.2017
Para além do túmulo
É a partir do túmulo vazio que temos razões e esperança...
Pe Geovane Saraiva 20.02.2017
Tempo de Jejum
Uma das características do tempo da Quaresma é a...
Dom Orani João Tempesta 20.02.2017
Cursos
Buscar Cursos
 
 
Catequese Inclusiva
O Curso on line de catequese Inclusiva, tem como objetivo incentivar os ...

R$65.00


Curso para Catequista
*Cá entre nós* é um convite, um chamado para bater um papo amigo. É a ...

R$68.00


- Curso Bíblico Nível I
- Curso de Comunicação
+ Ver todos os cursos
 

Banner

Catolicanet - Tel: 55 (0xx) 11 5660-6800
Atendimento disponível das 08:00 às 12:00 e das 13:00 às 17:00hs,
exceto Sábados, Domingos e Feriados.

Sobre a Catolicanet Imprensa Contato Política de Privacidade

2017 - Todos os direitos reservados - www.catolicanet.com.br Desenvolvido por: Grupo O.F.