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Sobre o Autor - Dom Orani João Tempesta, O. Cist., (São José do Rio Pardo, 23 de junho de 1950) é um monge da Ordem Cisterciense e bispo católico brasileiro. Foi o terceiro bispo de São José do Rio Preto e nono arceb
Rio de Janeiro,RJ -

Iniciando o novo ano - 01/01/2018 - 0:00

Iniciamos o ano com a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria no dia 1º de janeiro quando celebramos também o Dia Mundial da Paz. Neste ano novo de 2018, o Papa Francisco escolheu o tema: “Migrantes e Refugiados: homens e mulheres em busca da paz”.  Com espírito de misericórdia, o Santo Padre convida em sua mensagem, a abraçar todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental. A Igreja, que tem como missão anunciar o Cristo como luz do mundo, quer ser uma Igreja de todos, em particular, a Igreja dos pobres” (Retirado do site: https://w2.vatican.va/…/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-cou…. acesso pela última vez em: 01/11/2017).

E isso marca e determina radicalmente a Igreja em sua totalidade: quando os pobres e excluídos se tornam o centro da Igreja: eles dão direção e sentido a tudo o que legitimamente e necessariamente constitui a realidade concreta da Igreja: sua pregação e ação, suas estruturas administrativas, culturais, dogmáticas, teológicas.

Os fundamentos teológicos são claros: “deriva da nossa fé em Jesus Cristo” (EG, 186), “deriva da própria obra libertadora da graça em cada um de nós” (EG, 188). Não é uma questão meramente opcional. É algo constitutivo da fé cristã (EG, 48). Por isso mesmo, os cristãos e as comunidades cristãs “são chamados, em todo lugar e circunstância, a ouvir o clamor dos pobres” (EG, 191) e a “ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres.” (EG, 187). (Retirado do site: https://w2.vatican.va/…/papa-francesco_esortazione-ap_20131…. acesso pela última vez em: 01/11/2017).

Recordando os exemplos do pobrezinho de Assis, o Papa Francisco nos ensina: “assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização”. (Retirado do site: https://w2.vatican.va/…/papa-francesco_20170613_messaggio-i…. acesso pela última vez: 01/11/2017).

No mundo contemporâneo, há muita dificuldade em identificar claramente a pobreza. Porém, o Papa Francisco alerta que a “pobreza nos interpela todos os dias com os seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginalização, pela opressão, pela violência, pelas torturas e a prisão, pela guerra, pela privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e pelo analfabetismo, pela emergência sanitária e pela falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e pela escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!” (Retirado do site: https://w2.vatican.va/…/papa-francesco_20170613_messaggio-i…. acesso pela última vez: 01/11/2017).

Preocupado com a situação dos mais desprovidos, independentemente do tempo e das circunstâncias,  o Papa Francisco nos recorda que os “os pobres não são um problema” e nos exorta: “não amemos com palavras, mas com obras”. Neste sentido, impressiona-nos a mensagem de Cristo, nos Evangelhos, fundada totalmente no amor aos irmãos, na caridade e na partilha. Além das vezes que o Divino Mestre fala do amor que devemos ter para com Deus que é Pai quando Ele sempre nos apresenta como o doador de tudo, que nos ama a ponto de dar o Filho a morte par para a salvação dos homens Ele reafirma o primeiro mandamento do amor a Deus, logo, a seguir completa-o o amor ao próximo. Ilustra-o na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37).

As cartas do apóstolo João insistem no mesmo aspecto catequético e com clareza apostólica, afirma que aquele que diz amar a Deus e não amar a seus irmãos é um mentiroso. E continua que é muito fácil proclamar que amamos a Deus, a quem não vemos, mas se desprezamos os irmãos que estão ao nosso lado, onde estão a caridade, onde estão o amor? (1Jo.4,20).

Paulo, na sua Carta aos Coríntios (1Cor 13), proclama e exalta a caridade (partilha). Quase sabemos de cor o texto maravilhoso. Somos levados a interpretar esse hino como o amor ao Pai Celeste. Mas, o apóstolo fala da excelência do amor entre os irmãos. Ainda que eu falasse todas as línguas dos anjos, ou tivesse toda a ciência, sem a caridade seria um bronze que soa e cujo som se perde nas quebradas dos montes. Logo a seguir nos ensina em que consiste a caridade: na paciência, na humildade, no fazer o bem, na longanimidade, na partilha da dor e da alegria com os irmãos, no perdão tão difícil. E conclui pela perenidade do amor e da caridade. Tudo cessa quando vier a perfeição, exceto a caridade, pela qual seremos medidos.

No episódio da multiplicação dos pães, Jesus sacia a multidão. Demos um passo em frente: de onde nasce o convite que Jesus faz aos discípulos para que tirem eles mesmos a fome à multidão? Nasce de dois motivos: em primeiro lugar da turba que, seguindo Jesus, se encontra em campo aberto, longe de lugares habitados, enquanto se faz noite; e, depois, da preocupação dos discípulos que pedem a Jesus para despedir as pessoas para que vá para as terras vizinhas para encontrar alimento e alojamento (cf. Lc 9,12). Diante da necessidade da multidão, eis a solução dos discípulos: que cada um pense em si próprio; despedir a multidão! Quantas vezes nós, cristãos, temos esta tentação. Mas a solução de Jesus vai noutro sentido, um sentido que surpreende os discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Fica claro o milagre, mas, também a partilha. Partilhar significa doar e entregar. Somos convidados a partilhar! Olhemos para os pobres de nossa comunidade para assim ajuda-los. Quanto a caridade e a partilha dizia o patrono da caridade e dos pobres: “dez vezes irão aos pobres, dez vezes encontrarão a Deus” (São Vicente de Paulo).
Com esses sentimento de partilha e sonhando e trabalhando por um mundo mais justo e humano desejamos a todos que possamos construir um mundo melhor neste novo ano de 2018.

 

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